Meu pai nunca disse que me amava
Augusto · 06 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
Tenho 62 anos.
Outro dia meu neto correu para me abraçar sem motivo. Só correu, me abraçou e voltou a brincar.
Fiquei parado por alguns segundos.
Não porque aquilo fosse estranho, mas porque percebi que eu nunca tinha feito isso com o meu pai.
Na verdade, também nunca recebi um abraço dele.
Meu pai era um homem bom. Trabalhador. Nunca deixou faltar comida em casa. Mas era de uma geração que acreditava que carinho era fraqueza. O amor vinha em forma de trabalho, de responsabilidade, de contas pagas. Passei a vida inteira tentando ser igual a ele. Criei meus filhos do jeito que aprendi. Sempre preocupado em oferecer uma vida melhor, sem perceber que eles também precisavam de um pai que sentasse no chão para brincar, que perguntasse como tinha sido o dia, que dissesse “eu tenho orgulho de você”. Hoje eles são adultos.
Temos uma boa relação, mas às vezes fico pensando em quantas conversas ficaram para depois. Quantos abraços deixaram de acontecer porque eu também não sabia como começar. Meu pai já não está aqui. Há coisas que eu gostaria de ter dito a ele. Outras que gostaria de ter ouvido. Com meus netos estou tentando fazer diferente. Não porque meu pai tenha errado, mas porque, às vezes, a melhor forma de honrar quem veio antes é permitir que a história siga um caminho diferente.
Sua vez
Se esta história tocou alguma coisa em você, talvez seja o começo da sua.