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O que a casa guardou

Bento · 02 de maio de 2026 · 1 min de leitura

A casa da infância foi vendida numa terça-feira comum, e ninguém avisou o menino que eu fui.

Voltei uma vez, já adulto, e fiquei parado na calçada como quem visita um túmulo educado. As paredes estavam de outra cor. A mangueira do quintal tinha sido cortada.

Escrevi sobre isso porque percebi que estava guardando aquele luto num lugar sem nome. Nomear ajudou. Não resolveu, mas ajudou.

Hoje sei que algumas perdas não precisam de solução. Precisam de testemunha.