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Primeira pessoa

Joana do Porto · 09 de abril de 2026 · 1 min de leitura

Durante anos contei minha própria história como se fosse de outra pessoa. Era mais confortável assim. “Uma amiga minha passou por isso.” “Conheço alguém que...”

Escrever em primeira pessoa foi o exercício mais difícil que já fiz. A palavra “eu” pesa. Ela não deixa espaço para fuga.

Levei quatro tentativas. Na quinta, escrevi dez linhas verdadeiras e chorei do começo ao fim. Depois li em voz alta, sozinha, e a frase que mais doeu foi justamente a que me libertou.

Hoje escrevo em primeira pessoa quase todos os dias. Nem sempre é bonito. Mas é meu.