Tenho medo de perder meu filho no meio dessa separação.
Eu · 06 de agosto de 2026 · 3 min de leitura
Nunca imaginei que a fase mais difícil do meu casamento começaria justamente depois que decidimos nos separar.
Ainda dividimos a mesma casa. Cada dia parece uma batalha silenciosa. A convivência ficou pesada, e a sensação é de que estou sempre pisando em ovos. O que mais me machuca não é nem o fim do casamento. É o medo de perder meu filho emocionalmente. Tenho a impressão de que o pai dele tenta colocá-lo contra mim. Já vi conversas, mensagens e atitudes que me fizeram acreditar nisso. Guardei tudo o que pude, porque sinto que preciso me proteger. Só que, no meio dessa guerra, percebi que também comecei a agir movida pela raiva. Passei a vigiar, responder, tentar provar quem está certo. E isso tem me consumido. Outro dia aconteceu uma situação que me deixou completamente desestabilizada. Meu filho quis faltar a um compromisso de estudos na semana de volta das férias. O pai disse que não precisava ir, que não faria diferença.
Quando soube, fiquei indignada. Na minha cabeça, não era apenas uma falta. Era como se estivessem ensinando ao meu filho que compromisso pode ser deixado de lado quando dá vontade. Meu primeiro impulso foi discutir. Queria dizer que ele estava errado, que precisava ir, que aquilo era importante para o futuro dele. Mas, conversando sobre isso, ouvi uma pergunta que ficou ecoando dentro de mim:
“Você está brigando com quem? Com o seu filho ou com o pai dele?” Aquilo me desmontou. Percebi que, sem querer, eu estava permitindo que o conflito entre os adultos chegasse até o meu filho. Também ouvi outra coisa que me fez pensar muito. Meu filho está crescendo. Já não é mais uma criança pequena. Ele está entrando na adolescência e talvez esteja precisando de uma mãe que converse mais e imponha menos. Uma mãe que explique, que escute, que dê espaço para ele pensar. Em vez de começar uma discussão, fui orientada a fazer diferente. Explicar por que eu considero os estudos importantes. Lembrá-lo dos sonhos que ele tem para o futuro e de que cada compromisso ajuda a construir esse caminho.
Depois disso, ouvi algo que me assustou:
“Deixe que ele escolha.”
Minha primeira reação foi responder:
“Mas eu sei que ele vai escolher não ir.”
Então veio outra pergunta:
“Você já conversou com ele ou está supondo o que ele vai responder?”
Percebi que eu estava deixando o medo falar mais alto.
Talvez eu esteja tão preocupada em perder espaço como mãe que acabei esquecendo de fortalecer justamente aquilo que mais importa: a confiança entre nós.
Entendi que escutar não significa concordar.
Posso dizer que não gosto da decisão dele. Posso explicar meus motivos. Posso mostrar que acredito na responsabilidade e no compromisso.
Mas também posso permitir que ele participe dessa conversa, especialmente quando a situação não coloca sua segurança ou seu desenvolvimento em risco imediato.
Hoje entendo que meu maior desafio talvez não seja vencer uma disputa com o pai dele.
Talvez seja não transformar meu filho em um campo de batalha.
Ainda sinto medo.
Ainda sinto raiva.
Ainda dói viver dentro da mesma casa depois de tantos anos de casamento, convivendo diariamente com alguém de quem estou tentando me separar.
Mas, acima de tudo, não quero que meu filho carregue as marcas de uma guerra que nunca foi dele.
Se existe uma vitória possível para mim neste momento, não é fazer com que ele escolha um lado.
É fazer com que ele nunca precise escolher.
Sua vez
Se esta história tocou alguma coisa em você, talvez seja o começo da sua.